Final feliz: “Madinha” se tornou cidadã

 

A história da idosa Maria Pereira da Silva se confunde com a de milhões de brasileiros espalhados por todos os cantos do mundo.

Moradora de rua, ela costumava ficar próximo à Rodoviária do bairro da Cidade da Esperança.  Não tinha ocupação alguma e fazia uso abusivo de bebidas alcoólicas. Devido a uma queda precisou ser internada no hospital Walfredo Gurgel, local que passou a ser a sua mais nova morada até ser providenciado um lugar seguro para ser acolhida.

Eis que o destino logo providenciou um lugar aconchegante, fraterno, harmonioso, tranquilo e acolhedor para se transformar na sua mais nova residência e para quem não tinha família, ganhou uma grande família, entre funcionários, idosas acolhidas e voluntários.

Mas não foi fácil para ela se adaptar. Por já ter convivido antes e escutado relatos de pessoas em situação de rua, percebe-se que elas se acostumam com essa vida e passam a gostar mesmo com as dificuldades. A percepção dos olhares julgadores, o preconceito, maus-tratos, ou até mesmo, quando sentem que muitos vão lhe olhar com medo ou raiva ou simplesmente como uma pessoa invisível.

Outro dia ao caminhar na Praia dos Artistas, dialogando com uma moradora de rua, irmã do flanelinha que sempre foi bastante receptivo comigo; foi possível perceber que à frente havia um colchão na areia, uma rede armada entre dois coqueiros e outros pertences, mirando o infinito mar. Logo percebi estar diante de uma mini casa sem estrutura, montada na praia…

Iniciei os questionamentos: porque eles estavam naquela situação? Como se sentiam…eu toda aflita imaginando como deveria ser ruim e injusto vê-los naquela situação.

Prontamente, ela respondeu a minha pergunta com o trecho de uma música do artista Fagner, que diz: “quem é rico mora na praia, mas quem trabalha não tem onde morar”. Que eles tem casa, mas gostam de morar na rua.

Assim como eles a D. Maria, carinhosamente chamada por nós de “Madinha”, levou um bom tempo para se adaptar. Pois o seu desejo era retornar às ruas.

No momento que foi bem acolhida e bem tratada, a idosa passou a interagir mais, participar das atividades diárias, ir aos passeios externos, o que lhe possibilitou gostar da sua nova morada, sua nova rotina… não mencionando mais a volta às ruas.

“Madinha” chegou no Lar apenas com a vestimenta que estava usando. Não tinha Certidão de Nascimento, CPF, RG, nem renda. Mas quis o destino que realmente cuidássemos dela.

A Equipe Técnica do Lar tomou as providências visando garantir os seus direitos violados. Às custas de muito empenho, todos os direitos foram garantidos e conquistados.

Exercendo sua cidadania, ela reescreveu sua história, deixou de ser simplesmente “Madinha” e passou a ser a cidadã – Maria Pereira da Silva, mais forte e amada por todos.

 

 

Por Paula Rubim

 

MADINHA